Sente-se sempre com a «bateria em baixo»? O cansaço tem muitas causas, mas às vezes pode ser falta de testosterona. Chama-se hipogonadismo masculino e acontece quando os testículos não produzem testosterona suficiente.
Dois tipos, consoante a origem
A produção de testosterona depende de uma cadeia de comando. A hipófise, no cérebro, liberta duas hormonas: a LH, que estimula os testículos a produzir testosterona, e a FSH, que estimula a produção de espermatozoides.
- Hipogonadismo primário: o problema está nos testículos. A hipófise tenta compensar e a LH e a FSH ficam elevadas.
- Hipogonadismo secundário: o problema está no comando (hipófise ou hipotálamo). A LH e a FSH ficam baixas ou inapropriadamente normais.
Causas mais comuns
No hipogonadismo primário: síndrome de Klinefelter, orquite (inflamação do testículo), quimioterapia ou radioterapia, traumatismo, torção ou cirurgia testicular.
No hipogonadismo secundário: obesidade e diabetes tipo 2 (uma forma funcional, que pode melhorar com a perda de peso), opioides, corticoides, esteroides anabolizantes, tumores da hipófise ou prolactinoma. Mais raramente, síndrome de Kallmann, traumatismo craniano ou hemocromatose (excesso de ferro).
Que sintomas dá
Os sintomas mais sugestivos são os sexuais: diminuição do desejo sexual, menos ereções espontâneas e disfunção erétil. Podem surgir também cansaço, perda de massa muscular, aumento da gordura e alterações do humor, mas estes sintomas são menos específicos e têm muitas outras causas.
Como se confirma o diagnóstico
O diagnóstico exige duas coisas: sintomas compatíveis e testosterona baixa de forma consistente, em análises feitas de manhã, em jejum e repetidas. A seguir, a LH e a FSH ajudam a distinguir o tipo. Conforme o caso, podem ser pedidos outros exames, como a prolactina, o estudo do ferro ou uma ressonância magnética da hipófise.
Como se trata
- A testosterona, em gel ou injeção, só está indicada com o diagnóstico confirmado e exige acompanhamento médico regular.
- Sempre que possível, trata-se a causa: perder peso, rever medicamentos, tratar um tumor da hipófise.
- No hipogonadismo secundário, quando há desejo de ter filhos, é possível estimular a fertilidade com outros tratamentos hormonais.
No ensaio TRAVERSE, em homens com hipogonadismo e risco cardiovascular elevado, o tratamento com testosterona não aumentou os eventos cardiovasculares graves em comparação com placebo. Houve, no entanto, mais casos de fibrilhação auricular, lesão renal aguda e embolia pulmonar, mais uma razão para o acompanhamento médico.
Atenção à fertilidade
A testosterona tomada de fora sinaliza ao cérebro que já há hormona suficiente e trava a produção de espermatozoides. Os esteroides anabolizantes podem «desligar» os testículos. Se quer ter filhos, fale com o seu médico antes de iniciar qualquer tratamento.
A testosterona baixa tem diagnóstico e tem tratamento. O primeiro passo é uma avaliação cuidadosa, para perceber a causa e escolher o caminho certo.
Este artigo é informativo e não substitui uma consulta.
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